domingo, 21 de agosto de 2022

TROPEIRO BRUTO

                                                           TROPEIRO BRUTO

Parte I



Chegamos com a boiada, em um tempo que se foi

Caminhos íngremes, chuvarada fria, enchentes...

Corria vento minuano, não perdemos nenhum boi

  Cantilena triste dos muares indica tempo que se foi

 

Olhar perdido, pelos Campos Gerais, descanso na Lapa

Graveto após graveto, fogo amigo na noite, não se desfaz

Uma conversa curta, um gole de cidrão, que vida ingrata.

Chorando se foi a morena noite, brilhou o sol entre a mata

Percorrendo o trecho, deixo meu coração em cada esquina

Uma cruz, cruzes ao longo da estrada, grito: “Eita Boiada”!

Precisamos subir vencer o cansaço e chegar a Sorocaba.

 


Outra vez, um casarão solitário, perdeu-se a memória de vida

Parece contar uma história, de uma família que ali  morava...

Lembranças pedidas, vidas interrompidas em nossa trajetória.

Seguindo em frente, vamos minha gente, longa é a estrada.

 

Cada boi que passa, cada gemido muares, ouço tinir no ouvido

Uma cantilena triste, mas que ainda persiste na minha jornada.

Tropeiro Bruto sou, percorrendo cidades, entro em  Rio Negro,

Campo do Tenente, Lapa, Castro, Ponta Grossa, Palmeira,

Prossigo para Piraí do Sul, Jaguariaíva, Sengés, até Itararé.

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