segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Era Uma Vez... Outro Gato Xadrez...

 


                                               Andava ágil suave como sempre quis,

Golas levantadas, pelos emplumados.

Amanhecia lá vinha... Todo cheiroso!

Com cara de burguês, todo, todo feliz,

Cabelos ao vento e o paletó alinhado.

 


O gato queria ser aplaudido e reverenciado

Não olhava pobres e nem os necessitados.

Queria só pra si, a mordomia e o bom leite.

Resolveu certo dia iria morar lá na igreja.

 


O Gato trouxe toda sua prole, só a elite.

Com ar de arrogância disse zombarias:

De hoje em diante, todo trigo e azeite,

A farinha, mel  e a gordura é só minha”...

 


Era gato muito estranho, do seu tosco ninho,

Levantava tarde e era amante das noitadas.

Gostava de fazer rolos, se metia em enrosco.

Até que um dia a irmandade disse revoltada:

 

“Ninguém aguenta mais sua barba de playboy

Seu sotaque angeliquês, esse seu evangeliquês.

Gato malvado, só quer a gordura dos rebanhos,

Sorri como gato de Alice, Ele tem  voz vagarosa,

 quase arrastada e, do alto da árvore, é estranho.

 


Gato malvado miau, miau! Fora já do nosso arraial!

Você quer morar num palácio de ouro e de cristal.

Quer ser Rei, sem coroa, Quer ser Pastor sem cajado.

Gato malvado fora da lei, Nosso Deus ama e perdoa

Seu Gato que usa o nome de Deus em vão e atoa...

Lembre-se: “A negligencia é um dos piores pecados

Gato malvado sem coroa, Gato que ufana e vive de usura.

Gato de barbicha espetada e dura acabou aqui sua aventura,

Você não nos representa... Entenda isso pela última vez...

Gato malvado miau, miau! Fora já do nosso arraial!

 

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Caixinha de Música

 

Caixinha de Música

 

Oh, doce ilusão

O tempo preso

na roda do destino.

 

Minha pele com eczema

flácida diante da liturgia

crônica da morte.

  

Oh, doce ilusão

Bailarina adormecida

Pelos acordes infinitos

 

Quantas noites em claro se vão

Ouço ruídos, copo vazio, um grito,

gemidos da alma, sufocando o riso.

 

Oh, doce ilusão

Não é nada, apenas meu desvario,

Uma caixinha de música salpicada

de sangue...

 

Oh, doce ilusão

Bailarina por que me olhas triste?

Só uma poção do tempo,

escorregando pelas minhas mãos.


Carlos Assis Gamarra                                                          Poeta do Iguassu                                                                       Autor

Foz 15/12/2025